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perguntado atrás em Educação por (105 pontos)
editado atrás por

Olá, boa noite!

Estou cursando o primeiro ano pela EJA. É a primeira vez que realizo essa atividade. Eu devo entregá-la na segunda-feira, para que seja avaliada, valendo nota de 0 a 10.

Eu selecionei o poema "O Meu Olhar", da autoria do Fernando Pessoa, para ser base do meu trabalho escolar.

Gentilmente, eu te peço que, com o seu conhecimento, avalie uma parte do texto, localizado abaixo:

"Extraído da obra literária O Guardador de Rebanhos (1925), da autoria do heterônimo Alberto Caeiro de Fernando Pessoa, o poema intitulado O Meu Olhar retrata a intensa relação do autor com a Natureza.

Nele, o escritor expressa o seu hábito de contemplar, sob o olhar inocente de criança, as variedades das maravilhas naturais, as quais o deixa deveras admirado".

E aí, está satisfatório ? Devo mudar alguma coisa ? Lembrando que não está finalizado ainda.

Desde já agradeço pela atenção!

1 Resposta

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respondida atrás por Platina (82,7K pontos)
Alberto Caeiro
Neste poema, afirma-se, claramente, de modo muito nítido, a primazia do ver, do olhar, dos sentidos, sobre o pensar. A linguagem é extremamente simples, corrente e familiar (segundo Pessoa, Alberto Caeiro escrevia "mal", pois tinha apenas a 4.ª classe - mas, atenção, é de salientar que Caeiro não escrevia "mal" por ter só a 4.ª classe; ele tinha só a 4.ª classe, porque escrevia "mal" - é que, como se sabe, primeiro surgiram os versos, a escrita, e só depois o nome do heterónimo e a sua biografia.). Existem, no poema, repetições, tautologias (repetição própria da linguagem infantil), frases simples, frases coordenadas, predomínio de nomes concretos, pouca adjectivação e frases declarativas. O sujeito poético fala-nos da sua postura típica: "andar pelas estradas, / Olhando para a direita e para a esquerda", vendo tudo muito bem, porque o seu "olhar é nítido como um girassol" (comparação), reparando bem que as coisas que vê são sempre diferentes. É que ele se quer como criança - sabendo ter "o pasmo essencial / Que teria uma criança se, ao nascer, / Reparasse que nascera deveras". Por isso, sente-se renascer em cada momento. "para a eterna novidade do mundo".
Na segunda estrofe, afirma "Creio no mundo como um malmequer / Porque o vejo". E anuncia claramente aquilo que constitui a base do seu pensar:

"... pensar é não compreender..."
"Eu não tenho filosofia, tenho sentidos..."
"(Pensar é estar doente dos olhos)"

Isto é, para além de poeta - "pastor por metáfora", ele é também um poeta-oxímoro: a sua filosofia é uma não-filosofia, afinal, uma recusa do pensamento abstracto, considerado como oposto ao "sentir" (com os sentidos, não com o sentimento). Repare-se que sempre que se refere ao pensar, isto é visto como negativo: "é não compreender ...", "é estar doente". Mesmo falando na Natureza (com maiúscula), representando um conceito "abstracto" (natureza será um conjunto de coisas existentes, logo entidade abstracta), seria para ele uma contradição, não é porque saiba o que ela é, mas porque a ama (introduzindo aqui um outro conceito essencial na sua poesia, para além do ver: o amar).
Termina então, naturalmente, como se de conclusão lógica se tratasse: "Amar é a eterna inocência, / E a única inocência é não pensar".

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Boas leituras
http://mym-pt.blogspot.com/2012/03/o-meu-olhar-e-nitido-como-um-girassol.html
comentado atrás por (105 pontos)
Boa tarde, Djavi!
Nossa, sem comparação. As interpretações expostas em ambos textos são bem diferentes.
Eu vou manter a minha mesmo.
Já fiz algumas reformulações e desenvolvi mais um pouco o meu.
Vou ler mais vezes o que vc publicou e tentarei extrair de lá algo que possa utilizar no meu texto.
Obrigado pela atenção.
Abraços.

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